7/12/2010

ECONOMIA DE COMUNHÃO

A Economia de Comunhão

Marcus Eduardo de Oliveira (*)

O distanciamento entre as pessoas, a agressão ao meio ambiente, a consolidação de um modelo econômico que enaltece o consumo conspícuo, a busca desenfreada pelo dinheiro, o crescimento das injustiças sociais e a desvalorização dos princípios básicos que modelam a teia da vida. Tudo isso somado, provocando profundo descontentamento, tem levado cada vez mais pessoas à reflexão em torno de se resgatar os laços de sociabilidade e de afirmar um compromisso em prol de um mundo melhor.
É nesse sentido que crescem ações que buscam primordialmente reverter essa tendência de distanciamento entre as pessoas, tentando aproximá-las pela prática da partilha. Tentativas de novos agrupamentos em favor de ações coletivas, cercadas de cooperação e união entre os membros tem se destacado com mais freqüência numa época em que os valores monetários tem se soerguido, sobremaneira, em relação aos valores sociais.
Uma tentativa nessa linha de atuação cooperativa que merece destaque é a Economia de Comunhão (EdC) - um movimento que ainda não completou duas décadas de existência.
A comunhão (comum união entre os membros) tem sido uma porta de entrada para a solidificação de um novo modo de fazer economia, no qual esteja presente a prática da comunhão-cooperação-fraternidade. A Economia de Comunhão pode ser resumida, em poucas palavras, como sendo a combinação de eficiência econômica com solidariedade, tendo como arrimo o princípio da cooperação.
A verdade é que a busca pela justiça social e um lugar para se viver em que “entre eles não haja necessitados” (lema da EdC) e nenhum tipo de necessidade, tem sido discutido amplamente entre aqueles que se põem a construir uma nova maneira de pensar a própria vida a partir das relações econômicas, tendo como elemento integrador desse sistema as empresas. Esse é o modelo de atuação da Economia de Comunhão que procura, por meio de redes (conjunto de pessoas ou organizações interligadas direta ou indiretamente) por a economia à serviço do atendimento aos mais pobres, pois percebe claramente que os sistemas econômicos tradicionais são (e tem sido) incapazes de tirar a fome da boca de uma criança. O ponto focal desse novo “pensamento econômico” é a cooperação e a ajuda mútua (é a cultura do dar e do doar-se) entre os agentes e o amplo e irrestrito apoio aos projetos sociais. O propósito é um só: levar a dimensão da fraternidade para a macroeconomia que dita, na essência, as políticas econômicas públicas. O objetivo? Fazer com que a teoria econômica tradicional seja sensível à economia social.
Nas palavras de Chiara Lubich (1920-2008), ativista social italiana, criadora desse movimento a partir de uma visita feita às comunidades carentes em São Paulo, em 1991, “a Economia de Comunhão deve canalizar capacidades e recursos para produzir riqueza em prol dos que se encontram em dificuldades. Os lucros devem ser livremente colocados em comum, divididos em três partes, no seguinte sentido: 1) Ajudar os pobres e dar-lhes sustento, enquanto não conseguirem um posto de trabalho; 2) Desenvolver estruturas de formação de ‘homens-novos’, ou seja, pessoas formadas e animadas pelo amor, capazes de viver a ‘ cultura da partilha’, e; 3) Incrementar e fortalecer a própria empresa. (CHIARA, 1999. “O Movimento dos Focolares e a Economia da Comunhão”, Vargem Grande Paulista, Ed. Cidade Nova).
Como podemos notar, algumas ações em prol da construção de um mundo melhor estão em plena atividade; resta, de nossa parte, uma maior participação, afinal, em se tratando de resgatar à vida, isso não pode esperar por muito tempo.

(*) Economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO. Membro do GECEU – Grupo de Estudos de Comércio Exterior do UNIFIEO.
Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br

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